
Folhas, gelo e muita curiosidade
Explorámos blocos de gelo com folhas e outros elementos naturais que encontrámos no nosso espaço exterior. Através desta experiência, as crianças puderam tocar, observar, sentir e descobrir as transformações do gelo, explorando livremente os materiais e despertando a sua curiosidade.
Com pincéis, borrifadores de água e as próprias mãos, cada criança aproximou-se do gelo ao seu ritmo. Houve tempo para olhar de perto, para tocar e para voltar a tocar, percebendo que o gelo muda com o calor das mãos e com a água que se lhe junta, e que aquilo que nele ficou guardado se vai, pouco a pouco, libertando.
Uma proposta com raízes nas OCEPE
Toda a planificação foi pensada e articulada com as intencionalidades pedagógicas das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE), promovendo a exploração sensorial, a descoberta de fenómenos naturais, a linguagem, a autonomia e o contacto com a natureza.
As OCEPE reconhecem a criança como sujeito e agente do processo educativo e defendem uma construção articulada do saber, em que as diferentes áreas se cruzam numa mesma experiência. Foi esse o princípio desta proposta: partir de materiais do quotidiano e da estação do ano para criar um contexto rico e aberto, em que cada criança pudesse aprender fazendo, sentindo e pensando. Nela encontram-se as três áreas de conteúdo:
- Formação Pessoal e Social. A autonomia na escolha dos instrumentos e das formas de explorar, a partilha dos materiais e do espaço e o respeito pelo tempo e pelas descobertas de cada colega.
- Expressão e Comunicação. A linguagem oral, ao dar nome ao que se sente e se observa (frio, duro, escorregadio, a derreter); a Educação Artística, na escuta musical e na sensibilidade às cores e às formas da natureza; e a motricidade fina, no manuseamento de pincéis e borrifadores, no domínio da Educação Física.
- Conhecimento do Mundo. A introdução à metodologia científica e o contacto com o mundo físico e natural: observar uma transformação da matéria, a passagem do gelo à água, e reconhecer os elementos do outono que nos rodeiam.
Aprender a fazer perguntas ao mundo
Mais do que um resultado final, esta proposta valorizou o processo. Ao explorar o gelo, as crianças mobilizaram competências que se cruzam e se reforçam: a curiosidade e o desejo de saber, a observação atenta, a comparação entre o antes e o depois, a formulação de pequenas hipóteses sobre o que vai acontecer e a sua verificação através da experiência.
Mobilizaram também a comunicação, ao partilhar com os outros o que iam descobrindo, a coordenação entre o olhar e a mão, a concentração e a persistência perante um material que não se deixa transformar de imediato. São estas competências, construídas em contextos com sentido, que sustentam as aprendizagens futuras em todas as áreas.
O conhecimento constrói-se em conjunto
Numa perspetiva socioconstrutivista, a aprendizagem não se transmite: constrói-se na ação e na relação. A criança aprende quando explora, quando interage com os pares e quando encontra um adulto que escuta, observa e lhe devolve perguntas em vez de respostas prontas.
O papel do adulto foi, por isso, o de organizar um ambiente desafiante, acompanhar de perto as explorações, valorizar as ideias de cada criança e ajudar o grupo a pôr em palavras aquilo que ia descobrindo. Ao lado dos colegas, cada criança conhece outras formas de fazer, experimenta-as e chega mais longe do que chegaria sozinha.
Ludovico Einaudi na sala
Estas experiências foram também enriquecidas pela escuta de composições musicais de Ludovico Einaudi, proporcionando momentos de tranquilidade, sensibilidade e expressão através da música.
A música ajudou a criar um ambiente calmo, que convidou a uma exploração mais atenta e a uma escuta de si e do outro.







